Muitos artistas que se apresentaram no Festival Mel, Chorinho e Cachaça ao longo desses três anos se surpreenderam não apenas com a qualidade da programação e do evento como um todo, mas com a performance dos músicos cearenses, especialmente quando o assunto é Choro.
Para se ter uma idéia dessa repercussão, o Festival acabou criando um novo circuito para o Choro na cidade de Fortaleza e em outras cidades do interior do Estado, onde esse estilo musical já estava praticamente esquecido. Atualmente, já é possível se programar em Fortaleza e curtir um pouco do Choro no Mercado dos Pinhões (às sextas), no Passeio Público (aos sábados), no Bar do Papai (aos domingos), no SESC-Centro (às sextas), no Centro Cultural Banco do Nordeste (CCBN) (em programações especiais), e em vários outros recantos, botecos e bares da cidade o Solo do Choro é uma realidade dessa e das futuras gerações de instrumentistas.
Com foco na difusão desse estilo musical no Ceará, desde sua primeira edição, é destinado em sua programação um espaço para grupos cearense de choro, por meio do “Ceará Solo de Choro”. Este espaço funciona como uma vitrine da produção de chorinho no Ceará, reunindo veteranos e novos talentos.
Atualmente, o choro está presente no cenário musical cearense através de vários projetos e grupos artísticos. É significante o número de artistas, pesquisadores e apreciadores desse gênero musical, os quais contribuem para a resistência e difusão do choro no estado. Entretanto, o chorinho cearense ainda é pouco conhecido e sua história não é valorizada.
Felizmente jovens talentos estão se formando e apresentando uma nova geração de chorões no Ceará. Seja em bares, praças ou em centros de formação como o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), o Choro vem ganhando força com o apoio de mestres como os instrumentistas Tarcísio Sardinha, Adelson Viana, Macaúba do Bandolim e tantos outros.
No mesmo caminho dos novos talentos, grupos como o Choro Feliz/Ipu, a Orquestra de Viçosa do Ceará e o instrumentista Tiesco do Trombone, mostram que o Choro é cada vez mais presente na formação musical. “A música de qualidade sempre estará presente. É bom ver jovens músicos se interessando por um estilo difícil de se executar, quando a moda e a necessidade de ganhar dinheiro apontam para outros caminhos mais fáceis”, diz o flautista e professor Marcelo Leite.
Um dos curadores das primeiras edições do Festival, Marcelo Leite diz que um grande diferencial do projeto é a valorização do músico local com o intercâmbio com grandes músicos de outros estados do País. “É muito legal ver um músico que toca com feras com Maria Bethânia e Lenine fazerem uma roda de choro com o pessoal que tá começando na carreira como instrumentista. Isso é um incentivo fundamental”, explica Marcelo.
Este ano, o Festival traz uma grande fileira de músicos cearenses de talento. E mais uma vez, como aconteceu com Dominguinhos ano passado, apresenta nomes geralmente conhecidos apenas num estilo musical. É o caso dos sanfoneiros Ítalo e Renno. As novas crias da sanfona, como chama o mestre do Dominguinhos, vão mostrar um show bem diferente do que o grande público já conhece. “Ficamos felizes pelo convite e iremos apresentar uma proposta inovadora do nosso trabalho. Muitos não sabem, mas o Choro é uma grande escola para muitos instrumentistas”, diz Renno.
Os Números do Mel, Chorinho e Cachaça
- De 2007 a 2009 foram 27 grupos cearenses participando diretamente da programação oficial do Festival. Mais da metade da programação foi formada por músicos cearenses.
- O objetivo da direção do Festival é fazer do Mel, Chorinho e Cachaça o maior e melhor projeto integrado de cultura, turismo, gastronomia e negócios do Norte Nordeste, e ter o choro como elemento capaz de tornar Viçosa do Ceará a capital da música instrumental Cearense.
- Nesse contexto, o Festival aproveita o seu poder de mobilização cultural para homenagear mestres do chorinho que se destacaram e destacam no cenário estadual e nacional, além de promover as novas gerações deste gênero musical, os quais garantirão a continuidade deste importante estilo.
- Dessa forma, em sua 4ª edição o evento homenageará o compositor Noel Rosa, considerado um dos maiores representantes da Época de Ouro do Samba, cujo seu centenário de nascimento será celebrado em 2010. A proposta é destacar a importância da obra desse artista para música contemporânea brasileira, que até hoje nos encanta. Para tanto, diferentes canções desse autor genial serão inseridas dentro do repertório dos grupos de música instrumental partícipes do evento, mostrando outras versões das mesmas que atualmente são popularizadas nas vozes de músicos midiáticos como Zeca Pagodinho, Maria Rita, Inimigos da HP, Ney Matogrosso, entre tantos outros.






