Navegação Principal

Pesquisa

Ferramenta de Pesquisa

Você está em: Início // Obra

A Obra

Noel RosaNoel Rosa e Ismael Silva – seu parceiro mais constante – contribuíram significativamente para a evolução formal do gênero. O samba que passaram a fazer, no início dos anos 30, distinguiu-se do samba amaxixado dos anos 20, representado sobretudo por Sinhô. Essa forma nova, mais domada e refinada – ritmicamente mais próxima do que hoje se reconhece como samba -, nasceu entre os sambistas do bairro do Estácio de Sá e se espalhou pelo Rio de Janeiro graças, em grande parte, a Noel e Ismael.


Noel teve o raro senso de oportunidade para interagir com a matriz do samba carioca (o pessoal do morro, fornecedores da matéria-prima) e os nomes de destaque do rádio (os cantores Francisco Alves, Mário Reis). Tinha trânsito fácil entre esses dois mundos.


Desenvolveu a sua obra de 1929 a 1937, tornando-se a principal referência como compositor popular de seu tempo no Brasil. Indo além, funcionou como uma espécie de farol da canção que veio a ser feita nos anos seguintes e, desde então, até agora. Poucos tiveram tanta influência na música nacional em toda a sua história. Noel Rosa foi referência básica para seus contemporâneos e seus sucessores.


Em 1931 compõe um de seus maiores sucessos, o samba “Com que Roupa?” (Agora vou mudar minha conduta…). “Com que Roupa?” vira o maior sucesso daquele carnaval. Esse samba tem uma história muito curiosa: Noel pediu para o maestro e violoncelista Homero Dornelas escrever uma melodia para o “Com que roupa?”.


Homero sentou-se ao piano e pediu para que Noel cantasse o samba. Noel comecou a cantar:
-Agora vou mudar…
Homero interrompeu e falou:
-Noel, esse samba não pode ser publicado, pois isso não é samba, é o Hino Nacional.
Homero tocou no piano o início do Hino e Noel se surpreendeu ao saber que fez um samba (que logo se tornaria o seu maior sucesso) com a mesma melodia do Hino Nacional.
Depois, Homero trocou algumas notas e o samba ficou pronto.


No início de 1934 começava uma das maiores polêmicas da música brasileira , Noel Rosa compôs “Rapaz Folgado”, uma resposta a “Lenço no Pescoço”, do então jovem sambista Wilson Batista. Depois Noel compôs o grande sucesso “Feitiço da Vila”, Wilson respondeu com “Frankeisten da Vila”, sendo respondida por Noel com “Palpite Infeliz”. Para finalizar a polêmica, Wilsom fez “Terra de Cego”. Em sua música, Noel, estranhamente, criticava o malandro cantado por Wilson – logo ele, um apologista da malandragem. No fundo, o que havia, porém, era uma rixa por causa mulher: Wilson tinha roubado uma namorada dele.


Noel em seu universo de mais de 300 canções individuais e parcerias conseguiu cantar o Brasil e o cotidiano como um legítimo malandro carioca. E é por sua grande contribuição à autenticidade da música brasileira, do samba e do Choro que Noel Rosa é o homeageado da edição 2010 do Festival Mel, Chorinho e Cachaça.

© 2007-2010 Mel, Chorinho & Cachaça. Todos os direitos reservados. Letra Viva Comunicação & Eventos Ltda.
Webdesign Vitamina C. Organização Letra Viva.