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Noel de Medeiros Rosa – 100 anos de música, samba e choro

Noel Rosa - vidaEle viveu apenas 26 anos. O suficiente para marcar a história da música popular brasileira com mais de 300 canções, grande parte imortalizada até os dias atuais na voz de diversos intérpretes, entre eles Mário Reis, Francisco Alves, Aracy de Almeida, Chico Buarque e Martinho da Vila.

Como um visionário, Noel Rosa demorou-se um pouco para encontrar sua verve artística, mas quando esta veio, entregou-se de tal modo que nem mesmo acometido por uma tuberculose, que o levaria à morte, o fez parar de sentir nas veias o brilho da música.

Assim aconteceu quando a mãe preocupada com a vida cada vez mais sem horário, as olheiras e a aparência frágil, resolveu esconder suas roupas para impedi-lo de sair à noite.  Quando os amigos vieram lhe buscar para ir a uma festa, contou o próprio Noel em entrevista: “mas com que roupa eu vou?”, nascendo logo em seguida a composição que no carnaval de 1931 vendera 15 mil discos, um fato raro para a época.

Nascido e criado no bairro carioca de Vila Isabel, filho do comerciante Manuel Garcia de Medeiros Rosa e da professora Martha de Medeiros Rosa, Noel era de família de classe média, tendo estudado no tradicional Colégio São Bento de 1923 a 1928.


A Medicina

Foi na década de 30 que o Brasil perdeu um médico e ganhou um composito de mão cheia, após Noel abandonar dois anos do curso da Faculdade Nacional de Medicina. Nesta década, e como não haveria mais tanto tempo para mostrar seu talento, Noel Rosa tornou-se um compositor extremamente prodigioso, criativo e protagonizou uma carreira vertiginosa, com mais de uma centena de composições, entre sambas e marchinhas. Foi nessa década que compôs os sucessos “Feitiço da Vila”, “Filosofia”, “Fita Amarela”, “Gago Apaixonado”, “O x do Problema”, “Palpite Infeliz” e “Pra que Mentir”.

A Irreverência

Como acontece com outros gênios da música mais recente, Noel Rosa certamente seria nos dias atuais um despreocupado com certas formalidades da carreira artística, muito menos com sua saúde e seria uma grande fonte de polêmicas para jornalistas e a mídia em geral. Numa de suas entrevistas, questionado sobre como julgava a relação entre o amor e a música, ele respondeu: “Romeu e Julieta morreram ignorando-a. Acho, porém, que a relação seja a mesma que existe entre a casca de banana e o escorregão.”

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